O que acontece conosco quando estamos apaixonados? Por que muitas vezes supervalorizamos o ser amado?! Por que nos decepcionamos tanto?! É possível acontecer na vida real os finais felizes dos filmes?! E afinal, o que estamos buscando: um modelo de paixão que nos é vendido, ou um relacionamenro real?!
Stendhal, autor de "O Vermelho e o Negro", escreveu sobre o amor-carnal, que chamava de amor-paixão. Para ele, o amor-paixão exerce sobre nós um grande poder, capaz de nos dominar. É a chamada emoção, que fala mais alto do que a razão - embora não goste dessa dicotomia.
Para se manter, a paixão precisa de medo e esperança. Ou seja, para que sejamos apaixonados por alguém, é preciso que exista a possibilidade de estar com o ser amado - deve haver esperança. Também é preciso que haja a possibilidade de desestabilização - deve haver medo de perdê-lo.
Quando não há medo o amor diminui, quando não há esperança o amor acaba. Por isso, Stendhal dizia que eu só me mantenho preso a alguém enquanto espero deste alguém alguma coisa. Para ele, a total falta de perspectiva aborta o sentimento.
Podemos dizer que, até certo ponto, os sentimentos são culturalmente ensinados. A visão dos orientais sobre o amor é diferente. Quem não conhece a matáfora da água no fogão?! Eles dizem que nós, ocidentais, nos unimos ao outro quando a água está fervendo e, conforme o tempo passa, a temperatura cai. Os orientais se unem ao outro com a água fria, ela vai esquentando ao longo do tempo.
Quando a temperatura da paixão é de zero graus, tudo é ganho. Quando a temperatura da paixão é 100%, tudo é PERDA. É uma visão a se considerar.
Assim, tudo parece ser uma questão de perspectiva. Apaixonados, idealizamos o ser amado: o comparamos com um ideal de amor culturalmente transmitido. No entanto, as pessoas são reais... Daí resulta a grande possibilidade de frustração. O que eu estou querendo no outro? Desejar o outro é desejar o que ele representa para a minha vida.
A paixão (ou amor, pois os dois termos só foram diferenciados depois da modernidade) é positiva quando me mostra que preciso do outro para me entender, me enxergar como ser. Mas é negativa quando nos vende a idéia de incompletude, na medida em que vou buscar no outro o que falta em mim mesmo.
Para Stendhal, o narcisismo (foco em si mesmo) faz com que não saibamos nos relacionar com o outro, pois não entendemos que algumas questões mal resolvidas com o outro são, na verdade, questões nossas. O ser é completo por si só.
Olha, você pode até discordar de mim... Afinal, quem nunca formulou sua pequena teoria sobre o amor?
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A paixão cega a gente. Vemos tudo potencializado, não a situação real que se nos apresenta.
ResponderExcluirSobre Stendhal, acho que a "cerebralidade" dele em diagnosticar de maneira precisa e racional as coisas do coração me seria muito útil; eu, que frequentemente vivo me fudendo por gostar mais do que devo e mais do que é saudável. Ainda vejo a "jóia rara", onde não raras vezes há apenas o "galho seco".