quinta-feira, 2 de julho de 2009

Humano, demasiado humano.

Eu já estava convencida de que não ia falar da greve da USP no meu blog, mas não resisti. Em primeiro lugar, me senti na obrigação de dar minha opinião. Já deixo claro que é apenas MINHA opinião. Sei que existem outras e as respeito. Em segundo lugar, tenho ouvido muita balela de gente que nem sabe o que está acontecendo. É o velho e péssimo habito cultivado por algumas pessoas: repetir o que ouvem sem saber o que acontece. Pra ter opinião é preciso, antes de tudo, formá-la (com base em alguma coisa, preferencialmente).


A greve dos professores e dos funcionários foi encerrada ontem por votação das Assembléias. Os alunos decidiram continuar em greve (?) , o que é uma ironia absurda na minha opinião, pois não consigo conceber uma GREVE DE ALUNOS feita isoladamente. Estudei durante 6 anos na USP, estive por dentro de duas grandes greves. Entre as principais reinvidicações dos alunos, estavam a contratação de professores e construção de prédios. Precisávamos, e muito (ainda precisamos). Até aí... okay!


As greves nunca tiveram grandes conquistas, é verdade. Sempre foram menosprezadas pela Reitoria e pelo Estado, apesar de serem manifestações vindas de quem sente no dia-dia as reais necessidades da principal universidade do país. Pra mim, enquanto representarem contrariedade às imposições, questionamento de oligarquias e desestabilização do estatus quo, as greves são válidas pelo barulho que causam. Até aí... continua okay!





No entanto, há problemas gravíssimos tanto no governo quanto nos grevistas.


Os problemas com as instâncias governamentais são muitos. No que diz respeito à educação, pode-se dizer, grosso modo, que a marcantilização do ensino finalmente chega à USP. Em uma sociedade cada vez mais centrada no consumo, uma Univerdade como a USP, voltada para pesquisa e formação teórica, vai perdendo sua força e representatividade. Consequentemente, nos deparamos com o visível crescimento das Unibozos , que pipocam em cada esquina. Afinal, se tudo é consumo e geração de lucro, a Educação não iria escapar, certo? Vamos então vender cursos, vender ensino, vender educação,vender cultura. Resultado: o Estado fica em uma posição delicada, afinal, aparelhar a USP e todo o Ensino Público (o que já demandaria uma imensa vontade política) significaria opor-se a interesses de gente que tem muita grana!

É tão difícil enxergar que estamos brincando de Davi e Golias?


Do lado dos grevistas, a maçã podre é a velha politicagem, que envolve manutenção de cargos e muuuuuito jogo de interesse. Há partidos políticos dentro da USP, fato. Resultados: rachas no Movimento Estudantil e nos Sindicatos, enfraquecimento das greves e episódios lamentáveis de toda sorte (como o roubo e depredação de objetos durante a invasão da reitoria ano passado). Estão sumindo os Centros Acadêmicos que fretavam ônibus pra Congressos, Eventos, faziam mostra de Cinema, Teatro, Feira do Livro... Até as salas de aula lotadas ficaram fora da lista de reclamações. Virou trampolim político.


Acho que já vi esse filme.

Este ano, pra piorar, a PM entrou no Campus na ocasião em que os manifestantes tentaram interditar a entrada Principal da Rua Alvarenga. Discordo das duas coisas: fechar a entrada e descer a borracha nos alunos.


O que eu ando repetindo sobre isso é que há pessoas no Movimento Estudantil, há pessoas nos Sindicatos, há pessoas do governo, há pessoas na Reitoria... Há problemas pq há pessoas, e elas colocam seus interesses pessoais em detrimento do coletivo. Muito prazer, ser humano. E não estou me excluindo do grupo. Os ideais maiores, all that magic feelings, como dizia George Harisson, vão sendo cada vez mais preteridos. Se hoje não participo é por estar desiludida, cansada da coisa toda. Faço a minha parte dentro do praticável e, principalmente, vou caminhando por outros meios... Pois acredito que não existe só uma maneira de mudar as coisas... Até agora, pensar assim, tem feito sentido pra mim... Cada um no seu quadrado.


É isso...


Beijo
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Um comentário:

  1. Poxa cá eu não entendo nada de greve, mas espero que fique logo tudo bem=)

    amanhã é nosso grande dia, mas seria um dia maior ainda se nossas carteiras estivessem mais preenchidas=) hehehehehe

    beijOs beijOs

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