quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Mineirices

Último dia de trabalho do ano e eu estou com um humor mineiro. Não sei se é possível definir com clareza, humor mineiro é uma sinestesia... um pouco de Milton Nascimento, Nando Reis, cidadezinhas feitas de pedra, Drummond e pão de queijo. Deu mais ou menos pra entender?

Minha simpatia por Minas não é de hoje. Desde criança ouço meu pai tocando na varanda Beto Guedes, Flávio Venturini, Lô Borges, Wagner Tiso e o grande MILTON NASCIMENTO. A galera do Clube da Esquina e Som Imaginário é toda fã de Beatles - coincidência? Além dos momentos lá em casa, meu pai sempre foi o tocador oficial de MPM - Música Popular Mineira - na galera dele. Detalhe: meu pai é paulistanasso da gema. Vai entender...

Meu interesse continuou com bandinhas mineiras bacanas como Jota Quest, Skank, Nando Reis... A música  do Skank Resposta, cantada com Milton e Lô Borges no CD ao Vivo MTV, me parece um recado da nova geração para a antiga. Mas é só uma hipótese...


"Bem mais que o tempo que nós perdemos
Ficou pra trás também o que nos juntou

Ainda lembro que eu estava lendo
Só pra saber o que você achou

Dos versos que eu fiz, que ainda espero resposta


Desfaz o vento, o que há por dentro
Desse lugar que ninguém mais pisou

Você está vendo o que está acontecendo
Nesse caderno sei que ainda estão

Os versos seus tão meus que peço
Nos versos meus, tão seus, que esperem que os aceite...


Em paz eu digo que eu sou
O antigo do que vai adiante
Sem mais eu fico onde estou
Prefiro continuar distante..."


(Resposta - Samuel Rosa / Nando Reis)


E na poesia, não dá pra deixar passar o itabirano Drummond, o poeta mais popular do país e o preferido de muita gente. Nada me faz desistir da idéia de que aquela pedra no meio do seu caminho saiu de Ouro Preto, Turmalina, Diamantina, ou algo assim. O diálogo não é tão claro na obra dele, mas na música de Milton é:


"No meio do meu caminho sempre haverá uma pedra
Plantarei a minha casa numa cidade de pedra
Itamarandiba, pedra corrida, pedra miúda rolando sem vida
Como é miúda e quase sem brilho 
a vida do povo que mora no vale"

(Itamarandiba - Milton Nascimento / Fernando Brant)



Vale lembrar que amanhã eu estou saindo da minha Sampa e indo para um lugarzinho chamado MAROMBA, na divisa do estado do Rio com Minas. Serra, cachoeiras,  tranqulidade e reflexão...


"Porque se chamava moço
Também se chamava estrada
Viagem de ventania

Nem se lembra se olhou pra trás
Ao primeiro passo, asso, asso
Aço, aço, aço, aço, aço, aço

Porque se chamavam homens
Também se chamavam sonhos
E sonhos não envelhecem
Em meio a tantos gases lacrimogênios
Ficam calmos, calmos
Calmos, calmos, calmos
E lá se vai mais um dia
E basta contar compasso
E basta contar consigo
Que a chama não tem pavio
De tudo se faz canção
E o coração na curva
De um rio, rio, rio, rio, rio
E lá se vai... E lá se vai...
E o rio de asfalto e gente
Entorna pelas ladeiras
Entope o meio-fio
Esquina mais de um milhão
Quero ver então gente, gente
Gente, gente, gente, gente, gente."



(Clube da Esquina - Milton Nascimento)



Ou seja, apesar dos pesares, a VIBE está boa e continuará, se depender de mim. Digamos que estou num mix de lirismo e fé - é o que me traduz tudo isso. Sem esquecer do meu niilismo inerente, porém, inevitável para alguns assuntos. Nasci na época/lugar errado?! Não... sou uma mistureba de tudo mesmo.

Fui!




Um comentário:

  1. Isso sem contar os lugares incríveis que inspiram todo esse caleidoscópio(pegou, pegou?) músical.
    -A sensação surreal de comer um tropeiro de frente pra bela pampulha esperando abrirem os portões do mineirão.
    -As igrejas de ouro preto em meio a uma serra de vegetação exuberante enchem os olhos até do ateu que lhe escreve.
    -O vento frio que sopra do "mar" de furnas.
    -O Drummond sentado no banco da praça em Itabira que, diferente de seu clone carioca, nunca perdeu os óculos. A mim sempre me pareceu este Carlos muito mais tranquilo e feliz que o Carlos que frita ao sol da orla de copacabana. Acho até que ele esboça um indefectível sorriso de monalisa.

    Eu poderia passar horas divagando sobre esse pedacinho do paraíso escondido entre as montanhas, lá na outra ponta da Fernão Dias.

    Libertas Quæ Sera Tamen

    E feliz 2010

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