terça-feira, 11 de agosto de 2009

Pequena crônica da indiferença afetiva

Aos poucos vc percebe que há muito tempo algo não te empolga de verdade... Que vc é aquele tipo de pessoa que precisa de emoção, de coisas singelas que emocionem. Então, vc começa com um Não estou no msn e um Não tenho bateria no celular... Quando vai ver, cai no simples e prático Não estou afim! Pronto, é tédio social. Preguiça das pessoas. Estado civil = desisnteressado.


O próximo passo é tentar achar uma resposta, afinal, não dá para continuar assim - não você, uma pessoa que sempre teve como principal característica a vivacidade. Aí vc pensa... pensa... pensa... O que está acontecendo? Em vão vc tenta dar uma chance a si mesmo, acreditando que anda querendo demais, que precisa definitivamente relaxar! Ok, não deu. O blasée volta com força total.


Quando vc mesmo não se entrega, encontros passam a ser simplesmente obrigações protocolares que precisam ser cumpridas - e vc não sabe, na real, quem foi que falou que precisam ser cumpridas. Vc as cumpre, ponto. Como consequência, vc tem a extrema preguiça de dar prosseguimento, pq dar o tal do prosseguimento seria trair a si mesmo, aos próprios sentimentos. Não rola. Autenticidade é o que vc mais preza, faz parte da sua personalidade.

O que vc tem é que mudou a maneira de ver a vida. Nem pra pior, nem pra melhor, só mudou. Quanto mais a gente percebe que alguns sentimentos são raros, valiosos, menos os encontramos em qualquer um. Quanto mais a gente vai vivendo superficialidade, mais a gente vai se lembrando da profundidade de uma palavra, de um olhar, uma brincadeira. Quanto mais artificialidade, mais saudade da naturalidade. Impossível não fazer das lembranças um lugar seguro.


O nome do sentimento é desesperança. Vc não acredita. Dá um desânimo grande. Raciocinando lógicamente, até vc sair da artificialidade do início dos relacionamentos, das obrigações protocolares, das convenções sociais... Até vc sair de tudo isso e viver algo realmente maior, tem chão, tem muito chão. E é aí que vc desanima, fica blasée e é obrigado a ouvir de um amigo que vc se comporta com total indiferença.


Uma vez ouvi em algum lugar a seguinte frase: "Te amo não só pelo que vc é, mas mais ainda pelo que eu sou quando estou contigo." Pois é. O amor chega quando vc pode simplesmente ser vc mesmo, mais nada. Às vezes eu tenho saudade de mim.



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